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Seguros para Empresas de Tecnologia

O cliente exigiu seguro no contrato: quais apólices uma empresa de TI precisa

NeuCorr Seguros··9 min de leitura

A proposta comercial foi aprovada, o escopo está fechado, e a minuta do contrato chega do jurídico do cliente com uma cláusula nova:

A CONTRATADA deverá manter, durante toda a vigência deste contrato e por 24 meses após o seu término, seguro de responsabilidade civil profissional e seguro de riscos cibernéticos, com limite mínimo de R$ 5.000.000,00 por evento, apresentando certificado de seguro antes da assinatura.

Para muitas empresas de software, consultorias e prestadores de serviço gerenciado, é o primeiro contato com o tema. E a reação comum — “contrata qualquer seguro e manda o certificado” — é a que mais gera problema: o certificado é recusado, a assinatura atrasa, ou, pior, o contrato é assinado com uma apólice que não responde ao risco que o cliente queria transferir.

Por que os contratos passaram a exigir seguro

Duas razões explicam a cláusula.

A primeira é a dependência. Quando o cliente roda a operação num sistema, numa integração ou numa infraestrutura que você mantém, uma falha sua vira prejuízo dele — faturamento parado, multa de órgão regulador, perda de dados. O cliente quer saber que, se isso acontecer, existe dinheiro do outro lado para responder.

A segunda é a LGPD. Quem processa dados pessoais em nome do cliente atua, em geral, como operador. O art. 42 da Lei nº 13.709/2018 prevê que o operador responde solidariamente pelos danos quando descumprir as obrigações da lei ou não seguir as instruções lícitas do controlador. O cliente, como controlador, também responde perante o titular — e quer garantir que o fornecedor terá como arcar com a parte dele. Em setores regulados, a exigência é ainda mais formal; instituições supervisionadas pelo Banco Central, por exemplo, têm regras próprias para prestadores de tecnologia, discutidas em Resolução BCB 498 e o seguro.

Cada exigência, a apólice que a atende

”Seguro de responsabilidade civil profissional”

É o RC profissional de tecnologia, também chamado de E&O (errors and omissions). Responde quando um erro, omissão ou falha no serviço causa prejuízo financeiro ao cliente: o bug que corrompe uma base, a migração que deixa o sistema fora do ar, a entrega que não cumpre a especificação contratada. Paga a defesa e a indenização, dentro do limite.

Não confundir com o RC geral, que cobre danos materiais e corporais causados a terceiros — um visitante que se machuca no escritório. Para uma empresa de software, o RC geral raramente é o que o contrato quer.

”Seguro de riscos cibernéticos”

É o seguro cyber. Responde ao incidente de segurança: invasão, ransomware, vazamento de dados. Cobre a resposta ao incidente, a recuperação, a notificação de titulares e as reclamações de terceiros decorrentes do vazamento. Um ataque que comprometa dados do cliente pode acionar as duas apólices — e é por isso que o contrato pede as duas.

O que o contrato não pede, mas você pode precisar

O hardware da operação — servidores próprios, notebooks da equipe — é protegido pelo seguro de equipamentos de tecnologia, não pelo RC nem pelo cyber. E se a empresa tem sócios-administradores expostos a investidores, há o D&O. Nenhum dos dois costuma aparecer na cláusula do cliente, mas ambos fazem parte do desenho completo.

Os detalhes que fazem o certificado ser recusado

O jurídico do cliente não lê só o nome do seguro. Lê os detalhes, e é neles que a exigência costuma falhar.

1. Limite por evento × limite agregado. “R$ 5 milhões por evento” é diferente de “R$ 5 milhões agregados no ano”. A apólice de RC tem, em regra, um limite por reclamação e um limite agregado para o período, compartilhado entre todos os clientes. Se três clientes reclamarem no mesmo ano, o agregado é dividido entre eles. Vale alinhar a redação antes de assinar.

2. Vigência e período pós-contrato. A cláusula de exemplo pede 24 meses depois do fim do contrato. Como as apólices de RC funcionam à base de reclamações — cobrem a reclamação feita durante a vigência —, o que atende essa exigência é manter a apólice renovada com a mesma data retroativa ou contratar um prazo complementar de notificação. Deixar a apólice vencer no dia seguinte ao fim do contrato não cumpre a cláusula.

3. Data retroativa. Se o serviço começou antes da apólice, o que foi feito antes da data retroativa não está coberto. Em contratos de renovação, isso importa: o cliente quer cobertura para a relação toda, não só para o que vier depois da assinatura.

4. Segurado adicional. Algumas cláusulas pedem que o contratante figure como segurado adicional ou beneficiário. Nem toda apólice de RC profissional admite isso da mesma forma, e a inclusão pode alterar o preço. É item de negociação antes da assinatura.

5. Atividade declarada. A apólice cobre a atividade descrita na proposta. Se a empresa declarou “desenvolvimento de software” e o contrato é de operação de infraestrutura crítica, há um descasamento. Pela Lei nº 15.040/2024 (art. 44), que hoje rege o contrato de seguro, a omissão dolosa de informação relevante leva à perda da garantia, e a culposa reduz a indenização proporcionalmente. Descrever a atividade com precisão protege as duas pontas.

Como responder à cláusula sem pagar a mais

Antes de cotar, leve a cláusula para a corretora junto com três informações: o faturamento da empresa, a natureza do serviço contratado e o volume de dados pessoais que você vai tratar. Com isso, dá para:

  • Dimensionar o limite pelo contrato mais exigente, não por todos — às vezes faz mais sentido negociar a cláusula do que comprar um limite que só um cliente exige. A calculadora de seguro cyber ajuda a ter ordem de grandeza;
  • Propor ajustes de redação quando a exigência não existe no mercado (“limite ilimitado”, “cobertura para qualquer dano”) — jurídicos de cliente costumam aceitar uma redação compatível com apólices reais;
  • Emitir o certificado com as informações que o cliente pediu, já conferidas contra a cláusula.

Conclusão

A cláusula de seguro no contrato de TI não é burocracia: é o cliente transferindo para o fornecedor — e para a seguradora do fornecedor — o risco de depender de um sistema que ele não controla. Atendê-la exige, em regra, duas apólices diferentes, RC profissional e cyber, e atenção a detalhes que o nome do seguro não mostra: limite por evento, período pós-contrato, data retroativa e atividade declarada. Bem resolvida, a exigência deixa de ser um obstáculo à assinatura e passa a ser um argumento comercial.

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica individualizada nem a leitura de uma apólice específica. Coberturas, limites, retroatividade e possibilidade de segurado adicional variam conforme a seguradora. Se você recebeu uma cláusula de seguro num contrato, a equipe da NeuCorr Seguros pode analisar a exigência e indicar a apólice que a atende.

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Escrito pela equipe da NeuCorr Seguros

Corretora de seguros especialista em pesquisa clínica, responsabilidade civil profissional e seguros empresariais, regulada pela SUSEP. Conheça a NeuCorr →

Perguntas frequentes

Qual seguro uma empresa de TI precisa ter?

Depende do que ela faz, mas a combinação mais comum é: RC profissional de tecnologia (E&O), que responde quando uma falha no serviço causa prejuízo ao cliente; seguro de riscos cibernéticos, para incidentes de segurança e vazamento de dados; e, conforme o caso, seguro de equipamentos e D&O. Contratos com grandes clientes costumam exigir as duas primeiras.

Qual a diferença entre RC profissional de TI e seguro cyber?

O RC profissional de TI responde pelo erro no serviço prestado: um bug que gera prejuízo, uma entrega atrasada, uma integração que falha. O seguro cyber responde pelo incidente de segurança: invasão, ransomware, vazamento de dados, com custos de resposta, notificação e reclamações. Um ataque que derruba o sistema do cliente pode acionar os dois; um erro de código sem ataque, só o primeiro.

O que é o certificado de seguro pedido no contrato?

É um documento emitido pela seguradora ou pela corretora que comprova a existência da apólice, a vigência, os limites e as coberturas principais. O cliente costuma pedir antes da assinatura e a cada renovação. Ele não altera a apólice: se o contrato exige algo que a apólice não tem, o certificado vai mostrar a lacuna.

O cliente pode ser incluído como segurado na minha apólice?

Algumas exigências pedem que o contratante figure como segurado adicional ou beneficiário. Nem toda apólice de RC profissional admite isso da mesma forma, e a inclusão pode ter custo. É um ponto a negociar com a seguradora antes de aceitar a cláusula, não depois.

O limite exigido no contrato é por reclamação ou por ano?

Precisa estar claro. Apólices de RC costumam ter um limite por reclamação e um limite agregado para o período. Um contrato que exige R$ 5 milhões "por evento" não é atendido por uma apólice de R$ 5 milhões agregados compartilhados entre todos os clientes. Vale alinhar a redação da cláusula com o que o mercado oferece.

Por quanto tempo o contrato pode exigir que eu mantenha o seguro?

É comum exigir durante a vigência do contrato e por um período depois dele. Como as apólices de RC funcionam à base de reclamações, o que protege depois do fim do contrato é manter a apólice renovada com a mesma data retroativa ou contratar um prazo complementar de notificação.

A LGPD faz a empresa de TI responder pelo dado do cliente?

Pode fazer. Pela LGPD (art. 42), o operador de dados responde solidariamente pelos danos quando descumprir as obrigações da lei ou não seguir as instruções lícitas do controlador. Empresas de TI que processam dados dos clientes costumam estar nessa posição, e é por isso que os contratos passaram a exigir seguro cyber.

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